Certificação TOGAF em 5 passos

Olá pessoal!TOGAF 9 Foundation

Recentemente passei na primeira prova de certificação do TOGAF versão 9.1: TOGAF 9.1 Foundation. Neste post vou descrever os passos que segui para fazer a prova com bastante confiança – afinal, uma reprovação implicaria em um prejuízo considerável (cerca de US$ 210,00 pagos pela prova feita através da Prometric).

É fato que cada um tem sua própria forma de aprendizado e que algumas coisas que funcionaram para mim podem não funcionar para todos. A sugestão é que você adapte estas dicas para a forma que melhor lhe atenda. Dependendo do seu nível de conhecimento atual sobre o assunto, você poderá considerar passos adicionais aos que estou listando abaixo, ou então a eliminação de alguns deles. Vamos lá!

1- Navegue pela documentação oficial do TOGAF

 

imageCaso você ainda não tenha tido nenhum contato com o assunto, é interessante que você faça uma leitura geral sobre a sua documentação oficial (e gratuita), disponível neste link.

Em um primeiro contato com a documentação é normal se sentir perdido e não entender muito bem o propósito do TOGAF, principalmente se você nunca trabalhou com arquitetura corporativa. O termo arquitetura, por exemplo, é usado com bastante frequência, porém, num sentido diferente do que a maioria de nós costuma associar. Enquanto Arquitetos que atuam em projetos de TI entendem arquitetura como a forma como os sistemas são estruturados em componentes, os frameworks e bibliotecas utilizadas, as abordagens de integração adotadas, etc., o TOGAF lida com o termo arquitetura num aspecto mais amplo: a forma como a organização estrutura a sua TI para atender os seus objetivos e estratégias de negócios.

Este é apenas um exemplo dentre vários outros conceitos que são, de certa forma, pré-requisito para que alguém que está tendo contato com a documentação pela primeira vez consiga entende-la.

2- Faça um curso acreditado pelo The Open Group

 

Estudar apenas pela documentão oficial do TOGAF pode ser desanimador até mesmo para aqueles que costumam ser autodidatas. Além dos conceitos pré-requisito mencionados anteriormente há ainda um agravante pelo fato de que a versão atual da documentação apresenta diversas ambiguidades, explicações superficiais em alguns pontos ou desnecessariamente detalhadas em outros. Essa não é apenas a minha opinião pessoal, mas um consenso dentre aqueles que contribuem com o framework.

Porque fazer um curso acreditado? O The Open Group é uma instituição sem fins lucrativos que mantém e coordena o desenvolvimento do TOGAF. Um curso acreditado pelo The Open Group é um curso cuja ementa, syllabus, carga horária e formação do instrutor foi homologada pelo mesmo. Como aqui no Brasil o conceito de arquitetura corporativa ainda não é amplamente difundido, são poucos os profissionais que de fato dominam o assunto a ponto de ministrar um curso de qualidade.

Quando procurei por cursos em São Paulo, encontrei duas organizações acreditadas pelo The Open Group. Uma é a Architecting the Enterprise, sediada na Inglaterra, que possui uma boa reputação e tradição em arquitetura corporativa. Seus cursos são ministrados em Inglês e o valor pago em dólar é bem salgado. A outra é a Gnosis, que ministra o curso acreditado desde 2013. Esta é nacional e tem a sua frente um profissional que é referência no assunto aqui no Brasil – Atila Belloquim. O curso é ministrado e tem seus materiais em português. Através da Gnosis você também tem a opção de adquirir, junto ao curso, às provas de certificação em português, com desconto. Consulte a lista completa de cursos acreditados pelo The Open Group neste link.

3- Leia o guia de estudos oficial e opcionalmente o guia de bolso

 

imageDepois de fazer o curso você terá uma visão muito mais clara sobre arquitetura corporativa, saberá como o TOGAF e sua metodologia (ADM) apoiam iniciativas de arquitetura corporativa, porém, muito provavelmente ainda não estará pronto para fazer a prova, pois, como na maioria das provas de certificação, você será cobrado por diversas minucias que não terá tido tempo de memorizar durante o curso. Para se ter uma ideia, a questão a seguir demonstra o nível de detalhes cobrado na prova: Qual o nome que se dá ao status de governança que é atribuído a uma solução entregue onde alguns itens especificados na arquitetura foram implementados corretamente, porém, outros itens que estavam especificados não foram implementados? — A título de curiosidade a resposta é “Compliant”, dentre outras 5 possíveis definições que se aplicam a diferentes cenários: Irrelevant, Consistent, Conformant, Fully Conformant, Non-Conformant.

Para lhe ajudar a se preparar para a prova o The Open Group disponibiliza um guia de estudos focado no syllabus da sua prova de certificação. Este pode ser adquirido diretamente através do seu site em formato digital ou impresso (veja aqui). O seu conteúdo também é mais consistente (menos ambíguo) do que a documentação completa e traz o nível de informações adequado para o que será cobrado na prova.

Já o guia de bolso é também uma bom ponto de partida para seus estudos pós-curso, porém, traz apenas um resumo geral da documentação completa – não é focado no syllabus da prova. O guia de bolso pode ser lido “livremente” paralelamente a um estudo mais detalhado sobre o guia de estudos.

 

4- Faça mapas mentais ou resumos de todo conteúdo estudado

 

E falando em um estudo mais detalhado chegamos a esta sugestão. Quando vemos um mesmo conteúdo mais de uma vez, em um determinado intervalo de tempo, temos maior probabilidade de entendermos e fixarmos tal conteúdo. Gosto bastante de usar mapas mentais neste sentido. Mapas mentais são modelos visuais que se baseiam em pouquíssimo texto – a regra geral é que se use uma palavra apenas por conceito, sendo estas organizadas em uma estrutura hierárquica, contando com o apoio de recursos visuais que facilitam a memorização, como por exemplo, desenhos, representações, cores, imagens, etc.

Para quem não conhece a técnica de criação de mapas mentais, recomendo ler os materiais de Tony Buzan – o criador da técnica. Há um bom tempo atrás eu li o livro How to Mind Map, escrito pelo próprio Tony Buzan – o livro tem apenas 128 páginas e conta com diversos exemplos.

Veja na imagem a seguir um mapa mental que descreve como mapas mentais são estruturados (fonte: http://www.tonybuzan.com/about/mind-mapping/).

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Quando li o guia de estudos do TOGAF fui criando mapas mentais, registrando seus principais conceitos. Pelo menos uma vez por semana revisava todos os mapas mentais criados, desta forma relembrando aquilo que havia lido anteriormente. Na semana que precedeu a prova revisei os mapas mentais praticamente todos os dias. Ao todo foram cerca de 35 mapas mentais feitos em cima de todo o conteúdo do guia de estudos. Trinta a quarenta minutos eram suficientes para rever todos os mapas.

Algumas pessoas podem estar mais habituadas a fazer resumos sobre os conteúdos lidos. Particularmente acredito que os mapas mentais são mais eficazes quando o objetivo é abstrair e memorizar conceitos.

 

5- Faça simulados com o intuito de identificar áreas que precisam de mais estudo

Ao adquirir o guia de estudos oficial do TOGAF você receberá um pacote que contém o guia em si (um livro de cerca de 250 páginas) e também testes práticos, com questões em formato semelhante às que você encontrará na prova. Você também pode adquirir os testes práticos separadamente, por apenas US$ 0,99 (noventa e nove centavos de dólar). Veja aqui o teste prático da parte 1 do exame e o teste prático da parte 2.

É importante fazer o teste prático com dois objetivos em mente. O primeiro é o de encontrar assuntos que eventualmente você ainda não fixou ou compreendeu muito bem. Ao fazer o teste, separe as questões que você não sabe a resposta e logo após seu término, revise o assunto correspondente no guia de estudos – ou então reveja seu resumo / mapa mental. Reveja da mesma forma as questões que você não acertou a resposta – aquelas que você achava que sabia, porém, errou.

O segundo objetivo é o de simular o tempo que você levará para responder as perguntas. Para isso, anote o horário que você começou o teste e o horário em que acabou. Se possível mantenha um histórico de todos os testes que fez para acompanhar seu progresso. A prova oficial (parte 1 em português) tem 40 questões que podem ser respondidas em uma hora.

Note que o teste prático oficial do TOGAF não traz questões iguais às que caem na prova, portanto, não adiantará memorizar as questões e suas respostas. Para que você entenda e possa de fato tirar proveito sobre os conceitos do TOGAF em sua carreira profissional, é importante que você não pule etapas.

Conclusão

Infelizmente, certificação não é sinônimo de competência. Uma determinada teoria sugere que um profissional se forma principalmente (70%) a partir de suas próprias experiências em trabalhos complexos, a partir da observação das competências de outras pessoas (20%) e por último, a partir de cursos e leituras (10%), onde se enquadraria a certificação. Uma leitura simplista desta teoria sugeriria que bastaria estar inserido em um ambiente de trabalho para garantir 90% do que você precisará para ser um bom profissional.

Particularmente acredito nesta teoria, porém, acredito também que os 10% de estudos e leituras são os que definem como o profissional pensa sobre, prioriza e se dedica à sua carreira, e portanto, são aqueles que definirão em qual ambiente de trabalho o profissional estará apto a ser inserido. Um processo de estudos como o apresentado neste post exige tempo e dedicação. Estudar contribui com a habilidade do profissional de assimilar conceitos. Esta habilidade valerá em seu dia-a-dia em outros contextos, como por exemplo, como entender melhor requisitos de negócios mais complexos. Ou seja, estudar, por si só, já lhe fará um profissional mais preparado!

É preciso lembrar também que o nosso aprendizado funciona como uma edificação, que é composta por uma fundação e pilares que sustentam toda a estrutura. Não se pode começar a construir um prédio pela seu teto. Ou seja, alguns conceitos aprendidos serão chave para que você possa aprender outros. Logo, quanto maior sua bagagem de estudos, melhor será a sua fundação e assim maior poderá ser o seu arranha céu de competências!

E você, o que acha de certificações? E como costuma estudar para provas ou para assimilar conceitos em geral? Deixe seu comentário e bons estudos!

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